Armadilha 1 da gestão do conhecimento
Estou lendo o livro Facilitando a Criação de Conhecimento, de Krogh, Ichijo e Nonaka. O livro é muito bom e me tem levado a repensar alguns paradigmas sobre a gestão do conhecimento. Acho que os profissionais de áreas exatas tendem a “quantificar” as coisas: seja sob a forma de índices, de minutos, de custos, de prazos, sempre costumamos pensar em números. Não poderia ser diferente com os processos e fazemos (ou tendemos a fazer) o mesmo com a gestão do conhecimento.
Segundo os autores, esse é um dos grandes “erros” existentes no saber comum sobre o tema na atualidade. A ênfase na quantificação das informações e a obsessão por medições criam uma impressão generalizada de que é possível controlar o conhecimento como algo tangível. No que diz respeito à criação do conhecimento, esse paradigma seria muito mais “constrangedor”, limitador da criatividade, do que “reformador”, e fortaleceria o que eles chamam de armadilhas da gestão do conhecimento.
Neste e nos próximos artigos, exploraremos essas armadilhas. Vamos à primeira:
Armadilha 1 - a gestão do conhecimento depende de informações facilmente detectáveis e quantificáveis. Os autores salientam que a gestão do conhecimento tem sido interpretada como simples gestão da informação, quando, “no entanto, o conhecimento vai um passo adiante: abrange as crenças de grupos ou indivíduos, e se relacionam intimamente com a ação“.
Embora reconheçam o papel preponderante da tecnologia da informação nos processos de uma empresa moderna, os autores são categóricos: “as habilidades humanas que impulsionam a criação de conhecimento tem muito mais a ver com relacionamentos e com construção de comunidades do que com bancos de dados, e as empresas precisam investir em treinamento que enfatize o conhecimento emocional e a interação social.”
O que isto significa para um profissional liberal?
A boa notícia: que não é necessário um investimento vultoso — fora da realidade da maioria dos profissionais liberais — em tecnologia para criar conhecimento e ser inovador. Talvez seja mais eficaz compartilhar conhecimento tácito através de interação social sob a forma de conversas.
E a melhor notícia: faz parte do dia-a-dia de um profissional liberal interagir socialmente com seus clientes. Será que existe fonte mais rica para a criação de novos conhecimentos e inovação? E que tal interagir com outros colegas de profissão através de uma rede social como o ProfissionaisLiberais.Blog.Br?
Pela sua experiência, qual a sua opinião? No próximo artigo analisaremos a armadilha 2 da gestão do conhecimento.
Leia a série completa:
Armadilha 1 da gestão do conhecimento
Armadilha 2 da gestão do conhecimento
Armadilha 3 da gestão do conhecimento
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